Maria Vilani: exemplo de luta, resistência e coragem traz força e inspiração à Ocupação Cultural Mateus Santos

Terça-feira, 25 de outubro de 2016. Há algum tempo um certo espaço cultural, na região central do bairro de Ermelino Matarazzo, na zona leste de São Paulo, vem causando um certo reboliço na região. À tarde, inúmeros curiosos param, perguntam, entram, visitam a exposição fotográfica Rê-Existência, que conta a história do Movimento Cultural Ermelino Matarazzo. São expressões de espanto e surpresa as mais comuns. À noite, shows, confraternizações, rodas de discussão, batalha de rimas, cinepipoca… são diversas as atividades que tomam conta do espaço localizado na Avenida Paranaguá. Parece o único lugar em meio a tantos espaços, o único organismo vivo em meio a um cemitério de prédios comerciais, tão mortos quanto “eles” nos queriam. Mas estamos vivos. Resistimos.

Nessa noite, nesse dia 25 de outubro, recebemos neste lugar, por intermédio do projeto Criando Criadores, a presença ilustre de Maria Vilani, articuladora cultural do Grajaú e fundadora do CAPS – Centro de Arte e Promoção Social. Daquelas pessoas que tem o poder de aquietar a alma do mais rebelde dos sonhadores com algumas poucas palavras, que tem a autoridade e a propriedade para falar sobre luta e militância, cultural e política, como poucas pessoas poderiam. São décadas de história, décadas de conquistas, uma vida inteira dedicada a promoção do ser humano, ao resgate daquilo que pode ser entendido como humanidade, no sentido mais completo da palavra.

Muitos ensinamentos nos ficam, mais do que seríamos capazes de compreender neste momento de nossa jornada. Mas certamente havemos de assumir determinados compromissos, de forma definitiva, com alguns dos tópicos citados por Vilani. Em primeiro lugar, um tripé fundamental: Disciplina. Perseverança. Confiança em si mesmo. Potente e autoexplicativo.

Em segundo lugar, alteridade – compreender o outro como outro, mas também como extensão de si mesmo. Ser capaz de se perder no outro, sem abrir mão de si. A chave para qualquer movimento que se proponha coletivo está nas relações humanas e nas representações – quais são as minhas representações e quais são as representações do outro, e como podemos partilhar tantos mundos distintos?

Em terceiro lugar: não será fácil. E não podemos viver da ilusão, viver no sonho e esquecer do trabalho, da luta, da dificuldade. Precisamos ser irredutíveis em nossa caminhada. Nas palavras de Vilani: quando nos depararmos com o não, temos que ouvi-lo, mas não precisamos aceitá-lo. Busquemos, construamos os nossos sims.

Enfim, conhecer Vilani, mulher, nordestina, periférica, conhecer sua trajetória, seu trabalho e sua determinação não tem como passar como um evento comum. Deixou uma marca profunda em nossa alma, nos força a sermos pessoas melhores, nos tira do lugar e com certeza fortalece nossa luta por construir, por empreender. Um empreender que pode ser compreendido como a vontade de transformar a realidade – mais do que necessidades econômicas, o que nos move são os incômodos, as angústias e os conflitos, que encontram ressonância e abrigo no outro e transformam-se em potência infinita.

Se algo ficou extremamente vivo em nossa mente após esse encontro, é que somos potentes, somos capazes. E nosso trabalho é transformar essa potência em realidade.

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